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Brasil corre risco de ficar para trás na IA por falta de energia, alerta Microsoft

Mat Velloso, ex-executivo da Microsoft, DeepMind e Meta, diz que Brasil precisa acelerar energia e infraestrutura para não ampliar gap tecnológico com EUA e China

Por Seu Dinheiro••Rio de Janeiro
Brasil corre risco de ficar para trás na IA por falta de energia, alerta Microsoft
Inteligência Artificial · Rio Energy Forum

Reportagem de Seu Dinheiro, publicada em 1º de setembro de 2026 — republicada no caderno Energia em Debate do RIO ENERGY FORUM 2027.

O Brasil corre o risco de ampliar a distância tecnológica em relação às grandes potências se não acelerar investimentos em energia e infraestrutura para inteligência artificial (IA), segundo Mat Velloso, ex-executivo da Microsoft, Google DeepMind e Meta.

Durante o Macro Day 2026, evento do BTG Pactual realizado na segunda-feira (31), Velloso comparou o ritmo de expansão da infraestrutura energética brasileira ao da China e classificou a diferença como um “massacre”.

O gap de capacidade energética

A China adiciona cerca de 540 gigawatts (GW) de capacidade elétrica por ano, enquanto toda a capacidade instalada do Brasil é de aproximadamente 260 GW. Por aqui, o acréscimo anual fica em torno de 9 GW.

A disponibilidade de energia é estratégica porque os data centers que treinam e operam sistemas de IA consomem grandes volumes de eletricidade.

Gargalo não está apenas nos chips

Segundo Velloso, entre 30% e 35% dos chips disponíveis no mundo no próximo ano não terão infraestrutura suficiente para entrar em operação. O problema envolve energia, refrigeração, cabeamento e demais estruturas necessárias para os data centers.

Para o executivo, isso representa uma oportunidade para o Brasil, que possui fontes renováveis de energia. O desafio é transformar essa vantagem em infraestrutura disponível.

“Estamos nos afastando desse progresso em vez de nos aproximar.” — Mat Velloso

Velloso relatou que alguns operadores de data centers já consideram instalar unidades no Paraguai, próximo a Foz do Iguaçu, por causa dos custos de operação.

Risco de dependência tecnológica

O alerta vai além do setor de tecnologia. Ele citou o AlphaFold, sistema do Google DeepMind capaz de prever a estrutura tridimensional de proteínas. Enquanto um pesquisador com PhD poderia levar até quatro anos para prever uma estrutura, a IA chegou a aproximadamente 200 milhões de estruturas previstas em um ano.

“Se países como o Brasil não participarem dela, o gap científico vai ser tão grande quanto na época da colonização.” — Mat Velloso

EUA e China disputam liderança

Velloso vê a corrida pela IA cada vez mais concentrada entre Estados Unidos e China e considera que o mundo está entrando em uma nova Guerra Fria tecnológica. A China, segundo ele, vem reduzindo a distância em relação aos EUA e avançando com modelos abertos.

“Tem casos em que os modelos da China batem os modelos americanos. Você não faz isso destilando, copiando. Você faz isso inovando.” — Mat Velloso

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos restringem o acesso chinês a chips avançados e outras tecnologias. Na avaliação de Velloso, essas barreiras podem acelerar a busca da China por autossuficiência tecnológica.

IA também deve transformar empregos

Velloso prevê impactos relevantes no mercado de trabalho. Ferramentas de IA já permitem produzir códigos, textos e documentos, mas ainda exigem supervisão humana. O próximo estágio será quando a própria IA também for capaz de fazer essa revisão. A combinação com robótica e sistemas autônomos pode ampliar a transformação para atividades físicas, como a condução de veículos.

Para o executivo, tentar preservar empregos por meio de proibições não seria sustentável. Países que desacelerarem a adoção da tecnologia enquanto seus concorrentes avançam podem perder produtividade.

Brasil ainda tem uma janela de oportunidade

Apesar do alerta, Velloso afirma que o Brasil ainda pode usar a IA para atacar problemas que hoje não são resolvidos porque exigem recursos humanos ou financeiros em escala. Ele cita segurança pública e fiscalização tributária como exemplos. Sistemas de IA poderiam analisar volumes de informações que demandariam um grande contingente de profissionais.

Recentemente, Velloso levou essa preocupação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a integrantes do governo. Segundo ele, a discussão sobre soberania em IA não deveria se concentrar apenas na criação de modelos brasileiros, mas em energia, infraestrutura computacional e data centers.

“Eu não quero ver a gente perder essa chance porque acho que não vai ter outra.” — Mat Velloso


Fonte: Seu Dinheiro / Money Times

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